Acessar Conta

[06/08] Vulcano fez shows em Brasília e Goiânia


Texto por Felipe CDC e fotos por Eder Caverna

VULCANO

Brazilian Metal Fest - Capital Club, Taguatinga/DF (17/07/10)

Infelizmente, poucos headbangers presenciaram o Brazilian Metal Fest. E, cá entre nós, quem não foi perdeu uma noite mágica. O fato preocupante é que, com raras exceções, o esvaziamento de shows de caráter mais underground na Capital Federal se revela cada vez mais nítido.

Após um grande atraso, sobe ao palco a banda Decimate, a qual fez um set longo com músicas alimentadas por influências de death, thrash e hardcore, conduzidas por vocalizações gritadas, uma das referências do chamado “novo metal”. A Pesticide, sem dúvida alguma, é uma grande banda e uma das quais aposto minhas poucas fichas sem valor; entretanto, teve tantos problemas com o operador de som que fez uma apresentação muito aquém do habitual e da expectativa de todos, inclusive da própria banda. Uma pena. O death metal matador da Rotten Purity também foi severamente prejudicado pelo mesário, tanto que a banda tocou poucas músicas e decidiu sair do palco.

A Nervochaos, velha conhecida do público candango, trouxe o seu operador de som e salvou a própria pele (e a da Vulcano também). Das muitas vezes nas quais tocou por aqui, essa foi uma das melhores performances da banda: ótima escolha de repertório (incluindo a versão de Legiões Satânicas da Vulcano), entrosamente impecável e músicas extremas curtas, diretas e sem firula alguma.

E por falar em repertório certo, nesse quesito a atração principal do Brazilian Metal Fest, Vulcano, a lenda do metal brasileiro, não decepcionou, fazendo um apanhado geral de vários clássicos da carreira, com predominância das obras-primas Live e Bloody Vengeance. Os guerreiros santistas enfeitiçaram a platéia com um show vigoroso, apurado e refinado, afinal, são anos e anos movimentando a máquina da morte.

Zhema “o Louco” regia os hinos com a maestria de um mago. Com sua jaqueta e roupas pretas lembrou a presença de palco do Mr. Iommi. O vocalista Luiz Carlos, que mais uma vez substitui Angel, mostra por qual razão a vaga é obrigatoriamente dele. A cozinha, além de intensificar o peso das músicas, ainda tem um baixista “Diaz” insano capaz de incendiar qualquer platéia. Fernando, dono absoluto da segunda guitarra, esbanjava domí­nios de palco e do próprio instrumento.

Mais de 20 anos depois, a Vulcano, felizmente, retorna ao DF, faz um show memorável, e prova que tem fogo de sobra para ficar ativo por muitos anos. E que, caramba, não demore mais tanto tempo para que a banda nos presenteie com outra noite de magia metálica!

VULCANO

Metal Master III - DCE PUC, Goiânia/GO (18/07/10)

Para comemorar seus nove anos a Insetu’s Produções realizou a 3ª edição do Metal Master, trazendo, mais uma vez como atração principal, a banda santista Vulcano, simplesmente um dos maiores ícones do death black metal do continente latino.

Foi uma grande e bonita festa, apesar de pequenos problemas. A banda mineira Velociraptor, que faria a abertura, não apareceu e não deu maiores satisfações. Isso retardou o início das comemorações. O fator público – no caso a falta dele – foi outro sério problema. E esse causou-me estranheza, visto a Vulcano ter tocado poucos anos atrás no mesmo festival e no mesmo local e ter arrebatado um bom número de metalheads.

Com uma ótima equipe de sonorização, a In the Shadows (oriunda da cidade goiana de Anápolis, que se viu obrigada a cuidar da abertura) conseguiu fazer soar cristalino sua atmosférica mistura de gothic e doom metal. O destaque vai para a vocalista Miriam, que tem um gutural capaz de colocar qualquer urso para correr.

A Homicí­dio sobe ao palco em seguida e incendeia os corações impuros com um metal blasfêmico, com sonoridade ora arrastada (a la Hellhammer) ora com blast beats (ao modo Sarcófago), tocado de forma extremamente simples e sem muita apuração técnica, guiada apenas pelo feeling e calor blasfêmico.

A próxima foi a Spiritual Carnage, uma das bandas mais antigas da região centro-oeste, que acerta detalhes para o seu primeiro giro pela Europa. E, meus amigos, se esses caras fizerem pelo menos metade ao apresentado nesse show de abertura para a Vulcano, voltarão ao continente gringo todo santo ano. Completo domí­nio de palco, músicas bem executadas e headbangers ensandecidos cantando todos os clássicos da banda, como a ótima Crystal Lord, por exemplo.

Após uma aula de death/thrash, uma cartilha completa com todos os ensinamentos do black death metal. E tome cabelos voando e tome corpos no ar. Apesar da baixa quantidade de pessoas, a empolgação dos poucos presentes fez parecer que havia uma verdadeira multidão em frente ao palco. O guitarrista Fernando e o baixista Diaz não paravam um só minuto. Incrível! Já o Luiz Carlos mostrou que esqueceu por completo a forte dor de garganta que o incomodara durante toda tarde: cantou os 17 hinos e comandou a missa negra com a habilidade de um velho feiticeiro. Os tambores ultra pesados e precisos de Arthur conclamavam todos os guerreiros a marcharem rumo à batalha final; enquanto o fundador Zhema (que era só felicidade) regia a orquestra do apocalipse.

Como era de se esperar, foram nas horas dos clássicos contidos em Live e Bloody Vengeance (a base do set list) que o local quase veio abaixo. Show maravilhoso!

Em outubro de 2010, a Vulcano vai hastear a bandeira brasileira do metal em território europeu durante a sua primeira e mais que merecida turnê pelo velho continente.

Fonte: Rock Brigade

 

 

Parceiros